domingo, 15 de janeiro de 2012

Serviços de Engenharia – produtos de consumo restrito.

Não é segredo que para profissionais da área das engenharias e arquitetura, a maior dificuldade no exercício de sua atividade esta na venda de seu produto. Isso se torna muito mais evidente no inicio de carreira, onde ainda não se conhece o mercado e o mercado também não lhe conhece.
Serviços de engenharia e arquitetura não são comprados por muitas pessoas muitas vezes na vida. Destarte, é evidente que nosso produto não é um produto de consumo de massa, logo, as regras clássicas de marketing não se aplicam. Uma importante ferramenta de venda para produtos de engenharia e arquitetura, esta relacionado ao contato direto, privilegiando aspectos didáticos da comunicação direta como visitas pessoais, malas diretas além de proporcionar a propaganda “boca a boca”.
Dentro deste contexto, o uso de técnicas de oratórias revela-se imprescindível. Saber comunicar-se verbal e corporalmente com seu cliente durante a etapa de negociação, evidenciará sua capacidade de persuasão e defesa de ponto de vista. Isso fará a diferença na etapa de venda. O uso correto da língua vernácula e consequente vocabulário apropriado ao diálogo proposto farão a diferença no momento de se fechar negócio. Em minhas palestras onde abordo este assunto, sito o exemplo do então Ministro da Educação Paulo Renato ao conceder uma entrevista à imprensa, para falar sobre o desempenho de sua pasta no segundo mandato do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Um dos repórteres solicitou que se manifestasse sobre o ENEM, aliás, projeto vitorioso empreendido pelo ministro. A resposta de Paulo Renato pecou pelo descuido na introdução da resposta. Ou seja, ao fazer uma avaliação de seu produto, iniciou assim: “Eu acho que o ENEM é um sucesso!”. A questão é: “Acha” ou é um sucesso? Atente a importância e a forma com que as palavras são inseridas no contexto de sua negociação, pois a não observância deste fundamento, poderá descreditar seu produto.

Sempre que abordo o tema, em palestras ou em sala de aula, recomento o investimento em cursos de oratória, leituras relativas a noções de direito, contabilidade empresarial, técnicas de liderança e áreas afins, pois será através da aplicação destes conceitos que conseguirás transformar a engenharia em um negócio lucrativo.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Iniciando uma Carreira.

Todos os anos, uma gama de novos profissionais de engenharia chega ao mercado. Vive-se neste momento, um misto de alegria e expectativas, enfim, é chegado o momento pelo qual você se preparou por longínquos anos (17 anos no mínimo), coroados através do ato de formatura. O que antes era apenas um sonho, agora ganha novo formato, novas metas, novas perspectivas e passa a ser temperado com imensa responsabilidade, pairando a expectativa e a esperança de uma nação que não pode, nem merece mais, esperar por um futuro melhor, afinal somos parte deste futuro.

As inseguranças neste inicio de carreira são comuns, afinal, como responder imediatamente a questões como: qual área da engenharia atuar? Devo trabalhar como empregado ou como autônomo? Como iniciar minhas atividades? Como se portar diante do mercado? – pois estes são temas novos e que seguramente não foram abordados ao longo da graduação em engenharia, pelo menos não com a mesma relevância das disciplinas profissionalizantes inerentes a formação.

Em minhas palestras ou mesmo em sala de aula quando abordo o tema, enfatizo que não existe uma fórmula mágica para o "sucesso profissional", mas sim que o mesmo será alcançado através de muito trabalho, pautado em preceitos éticos, morais e técnicos. Um profissional prestador de serviços, como é o caso da engenharia, torna-se uma vitrine. Por tanto procure seu mercado e apresente-se ao mesmo. Deixe claro qual o tipo de serviço que você presta, qual o seu público. Não é produtivo neste início de carreira deixar que o mercado o procure. Entenda seu mercado, defina quais serviços serão oferecidos e suas respectivas políticas de precificações. Tenha bem definido que o que vendemos não pode ser encontrado em um magazine, não é um bem palpável. Nós vendemos ideias, soluções, sonhos que serão materializados através de nossa intelectualidade. Assim, não dê gratuitamente aquilo que você vende. Valorize seu produto e a recíproca será verdadeira.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O Engenheiro e seu Mercado!

Em minhas andanças pelo Brasil, durante a participação em congressos, é comum em meio às rodas de bate papo, ouvir relatos sobre a insatisfação no quesito valorização profissional. Como a inquietação é da natureza de nós engenheiros, sempre questiono sobre qual a definição de “valorização profissional”?
Em resposta quase que unânime, a primeira coisa que vêm é relativo a precificação dos serviços, ou seja, quanto se ganha por determinado trabalho. Fica evidente a correlação direta dos termos valorização e remuneração. Em minha singela opinião, a remuneração não pode e não deve ser tratada como um medidor do sucesso, pois se o fosse, os comerciantes de entorpecentes, cafetões e empresários de jogos de azar seriam exemplos de empresários bem sucedidos. Entendo que o retorno financeiro deva ser consequência do reconhecimento de seu trabalho. Um trabalho bem feito, fundamentado nos preceitos éticos e técnicos inerentes a atividade de engenharia, naturalmente será bem remunerado.
Segundo o Centre for Economics and Business Research (CEBR), a economia brasileira acaba de assumir a 6º posição entre as maiores economias mundiais, ultrapassando o Reino Unido. Com a economia aquecida, o mercado para engenharia e arquitetura também estará movimentado. E é ai que nós entramos; este é o momento de nos impormos ao mercado, de deixarmos claro nossas competências, de deixarmos exalar por nossos poros a essência da engenharia, de assumirmos de forma fidedigna nossa importância na escala social, etc., pois não exite valorização profissional maior do que o reconhecimento de seu trabalho pelo mercado. Uma vez que seu nome for exponencialmente reconhecido e firmado pelo mercado, não terás mais que se preocupar o termo “valorização profissional”.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Habilidades diretivas

Vencedores e Chorões.

Certamente ao longo de sua vida já deva ter ouvido esta expressão.
Quem vence no mundo são as pessoas que fazem as coisas. Além de realizarem em seu trabalho um número aparentemente interminável de tarefas, muitas levam uma vida pessoal ativa. Aconteça o que acontecer, sempre têm tempo para realizar tudo a que se propõem. Os chorões, por outro lado, não conseguem fazer mais que uma coisa sem se sentir oprimido e sempre dispõe de inúmeros argumentos para justificar sua falta de produtividade.
Mas a maior diferença entre os vencedores e os chorões não esta na habilidade para encontrar  desculpas, nem tampouco na capacidade de prescindir do sono e trabalhar a noite toda. A diferença fundamental é que os vencedores controlam seu tempo, enquanto os chorões permitem que ele seja controlado por todos os indivíduos e motivos imagináveis.

A próxima vez que encontrar alguém capaz de da fazer várias coisas ao mesmo tempo, preste atenção nele. Os vencedores dividem seu tempo de acordo com seus objetivos.  Se somarem todos os instantes que compõem um dia, sua produção pode ser enorme, mas em cada momento realizam uma única tarefa. Isso é gestão do tempo em prática.

Texto extraído do livro “Aprenda a administrar seu tempo eficazmente.”

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Material complementar - Pavimentação


As técnicas de pavimentação no Brasil e no mundo passam continuamente por um acelerado processo evolutivo, de modo a atender à demanda crescente por novas vias, solicitações cada vez mais exigentes de tráfego, sem deixar de visualizar um ambiente auto-sustentável.
Tendo como objetivo o desenvolvimento de soluções que viabilizem ou reduzam os custos de obras deste porte, minimizando os impactos ambientais, a comunidade científica busca o desenvolvimento e descoberta de novos materiais para a construção de vias pavimentadas.
A mistura de solos que apresentam baixos valores de Índice de Suporte Califórnia (ISC), medida essa que mensura a resistência do solo frente à pavimentação, com outros elementos como a cal e o cimento, vem sido utilizada por muitos anos. Estas misturas através de reações pozolânicas elevam a resistência do solo, reduzem a sua expansão e permeabilidade, características essas buscadas com a compactação dos mesmos.  

Baixe aqui o Manual de Pavimentação.

segunda-feira, 28 de março de 2011

ENGENHARIA – DA OMISSÃO A SOLUÇÃO

As cidades brasileiras vêm passando por acelerado processo de crescimento, resultando na ocupação de novas áreas em face da necessidade de acomodar novos moradores e obras de melhoramentos na infraestrutura urbana. Entretanto, é comum observar que o vetor crescimento rume para áreas consideradas inadequadas para seu desenvolvimento, visto que a ocupação muitas vezes ocorre em loteamentos clandestinos, sem o aval do poder público, porém, com a conivência do mesmo.


O uso inadequado e desordenado do solo urbano induz a um crescente processo de degradação do meio físico, trazendo como consequências a diminuição da qualidade de vida e a potencialização dos riscos de acidentes resultando em perdas humanas e materiais. Isso faz com que temas como a expansão urbana, riscos geológicos, inundações e acidentes naturais despertem interesses cada vez maiores de especialistas e profissionais que trabalham junto ao meio físico e antrópico.


Em uma era de inovação e desenvolvimento de tecnologias, com comunicação em tempo real, como podemos admitir ser “pegos de surpresa” por fenômenos climáticos?


Inúmeras são as respostas, ou desculpas, para este questionamento. Porém todas convergirão para o mesmo princípio: Não temos a cultura da prevenção. Vivemos em um país tropical, que até pouco tempo era considerado como zona livre de grandes fenômenos climáticos. Então, porque pensar/gastar tempo e recursos financeiros com fenômenos que não nos atingem?


Rio Tubarão - 12 de maio de 2010

Em 2004 presenciamos o primeiro furacão do atlântico sul – Furacão Catarina; quatro anos mais tarde, fortes e intermitentes chuvas desencadearam o maior desastre geotécnico de Santa Catarina; entre 2009 e os primeiros meses de 2011, acumulamos inúmeras vítimas fatais e contamos os prejuízos econômicos e materiais oriundos do poder das águas.

O fato é que estamos vivenciando um marco de alterações climáticas, que em minha visão iniciou em 2004 com o furacão Catarina, logo, nossa cultura precisa mudar. Nossas técnicas construtivas são arcaicas, ainda permitimos construções em áreas impróprias, aprovamos loteamentos sem o mínimo de infraestrutura, permitimos que as decisões políticas sejam sobressalentes em relação à técnica.

Mas por que não vejo grandes discussões em torno da engenharia nacional? Não seria este o momento de rediscutirmos nossa função para minimizar os efeitos destes fenômenos?



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O apagão de Engenheiros

A falta de profissionais das áreas de engenharia e tecnologia pode ameaçar a escalada do crescimento econômico do país. O sinal vermelho foi aceso no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Em parceria com o Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (Confea), o Mdic vai fazer um censo específico nos estados para identificar a quantidade e o perfil dos profissionais de tecnologia. A ideia é montar um banco de dados que poderá ser consultado pelas empresas de acordo com a demanda de pessoal especializado. As entidades de classe querem garantir a oferta de mão de obra local, para evitar a invasão de estrangeiros no mercado de trabalho.

Os estrangeiros vêm dos países europeus, como a Espanha, dos Estados Unidos, da Ásia e da Argentina. A crise econômica freou os investimentos e provocou uma onda de desemprego nos outros continentes. Como o Brasil tem forte demanda de mão de obra e faltam profissionais no mercado, o Mdic tem recebido oferta de profissionais qualificados do exterior. “A carência de mão de obra ultrapassa a disponibilidade do mercado nacional e não há expectativa para formar profissionais em curto prazo”, confirma Marcos Túlio Melo, presidente do Confea.

Ele adianta que a proposta encaminhada ao Mdic tem como objetivo fazer um censo dos profissionais de engenharia e tecnologia, aproveitando a estrutura do Confea, dos Conselhos Regionais de Engenharia (Creas), do IBGE e do Ipea. O mapeamento vai permitir montar um perfil dos engenheiros com registro nos conselhos. Serão levantados dados como: formação profissional, prática de exercício da profissão, experiência, nível de especialização e se trabalha atualmente na área.

A partir do censo será identificada a carência de mão de obra e como podem ser supridas as necessidades do mercado. “Hoje, assistimos a entrada de profissionais estrangeiros porque nos países de origem não têm emprego”, diz Melo. Segundo dados do Confea, em 2010 triplicou o registro de profissionais estrangeiros no país, de 115 processos anuais para cerca de 400.

Além da demanda quantitativa existe a falta de qualificação da mão de obra local. O presidente do Confea defende que o censo sirva de base para montar cursos de capacitação e atualização dos profissionais da área de tecnologia com a participação das universidades, escolas técnicas e das empresas. Em sua opinião, o governo deveria firmar convênios de mão dupla com esses países, para trazer cérebros que possam melhorar o nível de conhecimento.



Matéria publicada por Rosa Falcão - Diário de Pernambuco, 03 de fevereiro de 2011